terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ÚLTIMAS PALAVRAS

De: Harry Para: Bob
 
 Meu caro amigo, Bob. Decidi lhe deixar estas palavras por pura consideração, mostrar que meu amor existe junto com a grande amizade que construímos. Venho nesta carta, fazer com que você entenda algumas coisas antes de se precipitar e sair me julgando, mesmo sabendo que não tenho mais como me defender.
 Meus pontos de vontade se esgotaram. Percebi que cansei das pessoas, mas fui perceber depois de um bom tempo. Na verdade, nunca gostei dos humanos. Eles são monstros, com uma inteligência que me surpreende. Mas ao mesmo tempo, me decepciona por ver que eles não sabem usufruir de tudo isso. Pisam uma em cima das outras como se houvesse alguma guerra. "Em cada território que destruímos um ser, chances de viver mais serão bem vindas".
 Acabei caindo na armadilha desses monstros. Pois de alguma forma acabei amando cada um, se tornaram seres com uma grande importância na minha vida. Se por algum momento você me ouviu dizer que eu era feliz, foi por puro momento. Tudo porque eu achava que eram pessoas com coração, sentimentos. Mas percebi que tudo é seco, tudo é cinza. Essas pessoas andam por aí sem sentido nenhum pra vida, não se importam com ninguém. E o pior de tudo isso é que acabei amando essas pessoas. Acho que esse é o meu problema, amo tanto que isso acaba me fazendo mal. Tentei de diversas formas tentar amar assim mesmo, tentar conviver com isso e aprender a amá-los como supostamente eu achava que eles me amavam. Agradeço a você meu amigo por todas as vezes que me ouviu e que me fez manter essa vida intacta. Só quero que saiba que não vou agüentar mais uma separação na minha vida, a Linda sempre vai ser minha. Não posso continuar vivo e vê que ela se vai, não tenho mais forças pra encarar mais uma separação. Meu pai quando se separou da minha mãe, quanta dor. Minha infância foi um lixo, as coisas que eu tinha simplesmente sumiam. Tudo por conta da minha mãe ser uma viciada em drogas. Por isso, não tenho mais forças pra agüentar toda essa dor de novo. Por mais que sejam com outros roteiros, sei que vai ser a mesma dor. Pois mais um alguém que amo tanto vai partir. Não me defina como egoísta por está indo embora sem te dar um abraço, afinal estou lhe deixando essas últimas palavras.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MOMENTO DE FOCO


 Chegou aquele momento em que eu preciso me concentrar em algumas coisas. Deixar um pouco de lado essa onda de escrever em blog, e tentar colocar as ideias pra funcionar em outro rumo. O lance de música começou e acho que tenho que ser mais exigente comigo mesmo. Não que seja uma obrigação eu ter que escrever algo pra banda, mas sim que isso seja o foco principal quando pintar algo novo.
 O tempo que eu tinha de sobra, vai ser voltado totalmente pra esse projeto. As coisas que eu faço já têm seus pontos e seus devidos horários, tudo de acordo com o seu tempo. Quando digo que tenho que me focar, não falo em deixar de lado as coisas que eu já fazia, e sim que isso será mais uma das minhas "obrigações".
 Não posso ser cobrado pra escrever, ideias são coisas de momento. Não dá pra forçar e simplesmente sair algo, quando elas vêm são de uma das formais mais naturais. Vou tentar ao máximo possível poupar a minha voz, cobrar o esforço dela apenas pra ensaios e shows. Nada de gritaria em festinha com amigos, nada de falar alto demais em lugares barulhentos. Água morna, maçã e um copo de vinho antes do show são necessários. Não sou de beber, mas vinho é o remédio pra voz. Este lugar aqui vai continuar no seu devido lugar, sendo atualizado quando puder. Simplesmente quando eu estiver afim de detalhar algo, me expressar da forma mais clara possível.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

DESCARREGAMENTO EM PALAVRAS


 Chegou aquela hora do relacionamento que preciso botar algumas coisas pra fora. Acho que tenho que deixar clara algumas coisas, mesmo já tido explicado de todas as diversas maneiras possíveis. Reparei que muitas das situações você repara apenas nas suas dores, vai descarregando palavra por palavra até conseguir se safar do afogamento em lágrimas. Lágrimas que em certos momentos, no meu caso, ficam ali tentando transbordar e algo sempre impedem. Você não consegue enxergar que antes mesmo da coisa toda explodir, as minhas feridas foram cutucadas ou até mesmo uma nova apareceu. Não posso ser definido como egoísta se parte do meu mundo é voltado pro seu. O problema é que pra você grandes coisas da vida podem ser deixadas pra depois, tanto faz se elas podem ter proveito pra alguma coisa. Você só sabe ter a visão de que elas serão feitas. Deves ter consciência de que cada dia pode ser o último das nossas vidas, temos que saber aproveitar cada minuto como se fosse o último.
  Eu te amo, te amo tanto que isso pode até me fazer mal em algumas situações. Aprendi a conseguir ter mais controle em toda a raiva que eu sentia, saber calcular cada palavra. Centímetro por centímetro. Seria uma hipocrisia da minha parte em não dizer que tem coisas que não gosto, que possa não me incomodar. Tem coisas que me incomodam e outras não, normal. Você é livre pra fazer o que quiser, sempre foi. Deus me livre ficar em cima pra saber onde você está e o que está fazendo. Quero que a verdade venha da sua vontade, do seu próprio desejo e jeito de ser. Tem direito de fazer as suas escolhas, mas saiba que elas podem ter conseqüências. Coisa natural da vida. Não tenho muito a dizer, porque ainda me sinto feliz. Me sinto bem por ter uma pessoa que saiba preencher meus desejos. Gota por gota. Aqui foi apenas um momento, mais um deles. Eu precisava colocar toda essa euforia pra fora, descarregar palavra por palavra. Não estou escrevendo aqui pra você entender toda a situação, só quero que as coisas fiquem nos eixos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

FIM DE TARDE




 Em um fim de tarde, saindo de um final de expediente de trabalho. Talvez, aquela fosse a última vez que o garoto pisasse ali. Talvez, fossem seus últimos passos indo pra casa. A última entrada em um ônibus, os últimos minutos daquele percurso diário de segunda à sexta.
 Eram quase sete da noite quando o rapaz chegava em casa. Meteu a mão no bolso da calça e abriu a porta da sua casa. Eram passos e movimentos calculados. Pensando em tudo que já tinha passado, tudo que já havia ganhado e perdido. As perdas eram maiores, era por isso que aquilo ia se acumulando e a coisa pesava. Aquele dia, o jovem rapaz estava decidido a fazer o que sempre pensou. Tudo por um grande vazio que sentia, eram tantas perdas que conseguiu impor um certo limite na sua vida.
 A porta da frente se abre, ninguém em casa. Era um momento perfeito pra entrar no quarto, se trancar e finalizar tudo. O garoto sabia que aquilo seria idiota, mas não agüentava mais sofrer. Suas vontades, seus desejos. Tudo jogado fora, tudo ia junto de acordo que perdia algo que amava. Sofrimentos iam pesando cada vez mais. Sua alma partiu, tudo se tornou algo frio. Pedra de gelo ao alcance da sua visão era um branco e cinza indefinido.
 O garoto vai diretamente pra sala, onde havia uma estante. Dentro de uma porta de vidro pequena havia muitos remédios. O garoto pegou tudo que podia e levou até o quarto, despejou tudo por cima da cama. Trancou a porta do quarto, ligou o som com músicas de rock que ele sempre escutava. Era o que mais amava. Já estava cansado de tanta hipocrisia, tantas brigas com sua família. Discussões que já eram banais, perdas que eram violentas além do seu limite em suportar tudo aquilo. Um certo tremor em suas mãos, mas com uma total determinação do que queria fazer. Ele tinha consciência de que não imaginava como seriam as coisas depois, pra onde iria. Por isso mesmo, nem se quer questionava a si mesmo. Só queria saber de acabar com a dor, com o sofrimento que já o perseguia desde tempos. Sua alma já havia partido, não se importava com mais nada. Seus sentimentos foram pro além, tudo que restava de ter algum carinho e afeto, tinha explodido dentro do seu coração.
 O Garoto sentou no chão, encostado na cama. Começou a berrar feito louco. Chorava, se batia no chão. Junto com os gritos podia ouvir um "por que". Como se estivesse questionando tudo que já havia vivido. Aproveitava o som da música alta pra berrar cada vez mais, em volta e meia colocava sua cara no travesseiro e berrava com todas as suas forças. Toda a vontade era como se toda aquela dor que já havia passado estivesse atacando novamente, mas só que tudo de uma vez. Pegou os remédios, encheu a boca com todos que estavam ali. Era uma quantidade absurda, ele sabia muito bem que aqueles remédios eram fortes demais e era essa a intenção. Depois de tomar quase tudo, sentou-se novamente perto da cama e começou a chorar sussurrando: "por quê? por quê? por quê?". O tremor começou a aumentar, sentia dor por todas as partes do corpo. Caiu no chão e começou a sentir dores cada vez mais fortes. Tudo começou a ficar escuro de repente, não estava mais sentindo o seu corpo. Sua mente estava ficando vazia, não conseguia mais raciocinar. Tudo foram sumindo, todos os seus sentidos e forças não estavam mais lá. Depois de duas horas, seus pais chegam em casa e vão diretamente pro quarto do garoto. A porta estava trancada, mas o ar condicionado estava ligado. Não havia mais música alguma tocando. Os pais chamavam pelo nome do rapaz, mas não respondia. A porta é arrombada, tarde demais. O Garoto já estava morto.